quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Da janela norte...

o cheiro do monte

Voz do Povo


O passado dá saudades, o presente, dissabores e o futuro, receios...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Outra Janela...

na tua varanda


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

I - Cartas d' Avó

Alentejo,
20 de Janeiro de 1977

Olá minha neta,
hoje tenho pouco para te contar, faz frio por aqui, frio como um raio! Tenho a fogueira acesa, o tio arranjou troncos bem grossos, vão arder toda a noite.
Mas isto é só conversa, pouco interessa, quero é saber de ti, espero que tenhas poucos erros nos ditados e estuda bem as contas.
Ah! é verdade, a galinha, a castanha, já chocou os ovos, 8 pintos já cantam!
Agora chega de paleio, espero notícias tuas...

beijinhos,
d'avó.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Da janela sul...

(quero) uma pequena flor...

Autores

Sítio Exacto

Sei que não acaba
o teu prazer,
nem o meu.

Alguém
ama connosco
e nos leva
ao sítio exacto
das estações.

Nem o sono
depois nos pertence,
quinhão de outros
herdado após amarem.

António Osório
«O Lugar do Amor»


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Outra Janela...

ao canto

Voz do Povo


Ao Fevereiro e ao rapaz, perdoa tudo quanto faz.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Livros


"A verdade, como o silêncio existe apenas onde não estou. O silêncio existe por trás das palavras que se animam no meu interior, que se combatem,se destroem e que, nessa luta, abrem rasgões de sangue dentro de mim. Quando penso, o silêncio existe fora daquilo que penso. quando páro de pensar e me fixo, por exemplo, nas ruínas de uma casa, há vento que agita as pedras abandonadas desse lugar, há vento que trás sons distantes e, então, o silêncio existe nos meus pensamentos. Intocado e intocável. Quando volto aos meus pensamentos, o silêncio regressa a essa casa morta. É também aí, nessa ausência de mim, que existe a verdade."
Peixoto, José Luís; Cemitério de Pianos, pp123.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Da janela norte...

qual o tom...

Autores

Quem Sonha Mais?

Quem sonha mais, vais-me dizer —
Aquele que vê o mundo acertado
Ou o que em sonhos se foi perder?

O que é verdadeiro? O que mais será —
A mentira que há na realidade
Ou a mentira que em sonhos está?

Quem está da verdade mais distanciado —
Aquele que em sombra vê a verdade
Ou o que vê o sonho iluminado?

A pessoa que é um bom conviva, ou esta?
A que se sente um estranho na festa?

Alexander Search

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Outra Janela...

ao ir na maré dos (teus) oceanos...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Da janela sul...

olhar de novo o meu (a)mar...

Voz do Povo

Acreditar em tudo é tolice,
mas não acreditar em coisa alguma tolice é...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Outra Janela...

olhar de novo...

Autores

Olhar e Sentir

Olhar e sentir
por dentro do corpo a massa de que é feito o avesso dele.
Ossos músculos nervos veias
tudo o que está no corpo e mundo é
a pintura contém e depõe na tela e
se acaso aí o pintor deixou reservas
nesse sem nada o avesso do mundo se
recolhe e mostra a face.

Júlio Pomar

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

No regresso...

A todos os que aqui deixaram uma palavra amiga, de carinho e apoio, o meu sincero agradecimento.
Regresso, devagar...

Beijinho a todos,
Maria P.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

STOP

Por uns tempos, espero eu, não posso "blogar" motivos de saúde assim me obrigam.
Obrigada a todos que por aqui passam.
Beijinhos,
Maria Pedrógão

domingo, 11 de janeiro de 2009

Da janela sul...

já não há dunas...


Autores

Um Oásis No Momento

se vieres à minha procura
estou atrás do lugar que não existe
atrás do lugar que não existe há um lugar
atrás do lugar que não existe
são as veias do ar cheias de mensageiros
que trazem notícias da mai longínqua florida flor da terra
na face da areia estão traçadas as marcas do cavalo de um cavaleiro gracioso
que de manhã subiu ao cimo da montanha de Ascensão
atrás do lugar que não existe está aberto o leque dos desejos
tocam as campainhas de chuva para que a brisa sequiosa possa chegar ao cimo
de uma folha das campainhas da chuva que tocam
aqui o Homem está só
e nesta solidão a sombra de um ulmeiro flui para a eternidade
se vieres à minha procura
vem devagar e suavemente para não quebrar a porcelana da minha solidão.

Sohrâb Sepehry
(1928-1980)

sábado, 10 de janeiro de 2009

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

3

esta janela...



quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

2

nesta janela...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

1

naquela janela...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

1 2 3, diz outra vez!

O Grupo Coral Aqui Vem Cantar - As Janeiras

Nesta casa tão bonita
Gente nobre aqui mora
Venha-nos dar a Janeira
Não nos deixe ir embora

O Grupo Coral aqui vem cantar
Dar as boas festas
Bom ano desejar

Ó senhora desta casa
Sentadinha à lareira
Chegue-se aqui à porta
Não se esqueça da carteira

O Grupo Coral aqui vem cantar
Dar as boas festas
Bom ano desejar

A todos muito obrigado
Desejamos Boas Festas
Senhora da Graça ajude
A pessoas como estas

O Grupo Coral aqui vem cantar
Dar as boas festas
Bom ano desejar


O Grupo Coral de Carreço/Viana do Castelo
Letra: Henriqueta Santos / Maria do Carmo Lomba

domingo, 4 de janeiro de 2009

Outra Janela...

quando o verde toca o Céu...

sábado, 3 de janeiro de 2009

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Voz do Povo


Tudo na vida quer tempo e medida...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Da janela sul...


ousar passar

Autores

Poema para Iludir a Vida

Tudo na vida está em esquecer o dia que passa.
Não importa que hoje seja qualquer coisa triste,
um cedro, areias, raízes,
ou asa de anjo
caída num paul.
O navio que passou além da barra
já não lembra a barra.
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos portos.

Hoje corre-te um rio dos olhos
e dos olhos arrancas limos e morcegos.
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje o fim

e que há certezas, firmes e belas,
que nem os olhos vesgos
podem negar.
Hoje é o dia de amanhã.

Fernando Namora
«Mar de Sargaços»

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Outra Janela...


Não te direi
da névoa em meus olhos
De umas mãos frias da ausência
não te direi

Maria Albertina Mitelo

sábado, 27 de dezembro de 2008

Outra Janela...

Passos

Nas minhas mãos cabe-me o mundo. Em cada palavra que te lanço na linha
turva dos trilhos. No baloiçar dos tempos. Na plenitude das memórias.

Quem és tu? Qual a força dos teus olhos? Sabes a quê?

Pergunto-me vezes sem conta (quem sabe demais) por onde andarei.


Pedro Branco

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Outra Janela...

a casa da montanha

Construíste na montanha a tua casa,
escondida a meia encosta, apartada
da cidade dos homens e distante
de todas as tuas outras casas.

É lá teu refúgio, é lá que guardas
o que mais vale em ti, o que mais prezas:
Farrapos de arco-íris, uns quantos raios
de luz, alguns cheiros da terra, do feno e
dos cavalos. Muitas danças: danças de
animais e homens, sinfonias de corpos, de
nervos e de músculos. Vários sons do ar
e canções de cristal encostadas a
um punhado de palavras plenas de sentidos.
É para aí que vais quando precisas
de fugir do mundo para te encontrares
contigo. Ai te bastas tu e o teu espírito e
o velho bordão de oliveira brava.

Aí te bastas; mas manténs a porta aberta
e muitos presentes preparados. De vez em quando,
lanças os olhos longe no caminho, esperas ouvir
os improváveis passos doutros caminheiros.

Vasco Pontes


sábado, 20 de dezembro de 2008

A Todos...

Aldeia do Sabugueiro

Desejo um FELIZ NATAL, todos os dias...


Maria Pedrógão


sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Outra Janela...

Torga,
O pulsar das montanhas,
sente-se
nas tuas palavras,
cobertas
por pedaços de granito
utilizados para disfarçar a revolta,
e dor e a indignação,
de viveres num país confuso,
quase parado
que finge estar em revolução,
e é, constantemente, adiado...

Luís Alves Milheiro

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Da janela norte...

cuida de mim
não me cures
porque se me curares
deixas de te preocupar comigo
eu
que te afligia
porque se me cuidares
continuas a olhar
por mim
sem fim

Daniel Sant'Iago

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Outra Janela...


Amor como em Casa

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

Manuel António Pina

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Silêncios...III

...,

Autores

Dizem, meu amor, que neste inverno os ventos
passarão a mão pela seara e levarão o trigo;
que os dias serão escuros e frios - e tão curtos
que neles não caberá paixão alguma, por pequena
que seja. Contam que punhais de chuva se abaterão
sobre os pomares; e que as árvores crescerão
como feixes de serpentes, procurando ganhar
desesperadamente o céu. E acrescentam que

os pássaros adivinham tudo isto e que por isso
se calam de manhã - ouço-os bater as asas
num aceno triste; partem para o sul, dizem,
se dizem a verdade.

Só a casa ficará de pé a olhar a planície. E
dentro dela os sonhos e as recordações do verão -
retratos dos lugares que nunca visitámos, uma camisa
de linho no espaldar da cadeira, um livro para sempre
interrompido sobre a cama. Ouvíamos uma canção triste
na grafonola velha. Dançaríamos o ano inteiro, disseram
uma noite ao ver-nos atravessar a sombra da lua.
Ignoravam, então, o inverno.

Maria do Rosário Pedreira
A Casa e o Cheiro dos Livros

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Silêncios...II

...,

Autores

Pareço egoísta àqueles que, por um egoísmo absorvente, exigem a dedicação dos outros como um tributo.

Fernando Pessoa

domingo, 7 de dezembro de 2008

Silêncios...I

...,


Autores

O Poeta é um Guardador

o poeta é um guardador

guarda a diferença
guarda da indiferença

no incerto
guarda a certeza da voz

Ana Hatherly

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Outra Janela...


tudo era infinito em teu redor
e a harmonia transbordava no silêncio
profundo da tua voz de espuma

Carlos Frias de Carvalho
«Poema a uma deusa índia»

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Da janela norte...

amanhecia a aldeia...


voz do povo


A casa e o ninho, o mais pequenino...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Outra Janela...

... que comece Dezembro!

Autores

Poema para Iludir a Vida

Tudo na vida está em esquecer o dia que passa.
Não importa que hoje seja qualquer coisa triste,
um cedro, areias, raízes,
ou asa de anjo
caída num paul.
O navio que passou além da barra
já não lembra a barra.
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos
[portos.

Hoje corre-te um rio dos olhos
e dos olhos arrancas limos e morcegos.
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje
[o fim

e que há certezas, firmes e belas,
que nem os olhos vesgos
podem negar.
Hoje é o dia de amanhã.

Fernando Namora
«Mar de Sargaços»