Balada para um Homem na Multidão
Este homem que entre a multidão
enternece por vezes destacar
é sempre o mesmo aqui ou no japão
a diferença é ele ignorar.
Muitos mortos foram necessários
para formar seus dentes um cabelo
vai movido por pés involuntários
e endoidece ser eu a percebê-lo.
Sentam-no à mesa de um café
num andaime ou sob um pinheiro
tanto faz desde que se esqueça
que é homem à espera que cresça
a árvore que dá dinheiro.
Alimentam-no do ar proibido
de um sonho que não é dele
não tem mais que esse frasco de vidro
para fechar a estrela do norte.
E só o seu corpo abolido
lhe pertence na hora da morte.
Natália Correia
«O Vinho e a Lira»
Um Homem percorre o mundo inteiro em busca daquilo que precisa e volta a casa para encontrá-lo. "George Moore"
domingo, 12 de dezembro de 2010
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Outra Janela...
domingo, 28 de novembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Autores
Não me peçam razões...
Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queira: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.
José Saramago
«Os Poemas Possíveis»
Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queira: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.
José Saramago
«Os Poemas Possíveis»
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
sábado, 20 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Leituras
A noção de experiência é complexa.
Todo o espaço é de vidro - um vidro que não parte por fora mas parte por dentro. Estamos sempre a esbarrar com invisíveis barreiras. O que ele revela não é precisamente o que queremos saber. E se tivermos os olhos abertos até ao fim: vemos o quê? Como o espaço, o tempo não revela nada de especial. Só percursos.
Folhas de uma agenda descartável.
Ana Hatherly
«Tisanas»
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Págª 107

- Você, então, é monárquico mesmo?
- Fui, fui.
- Ah, aderiu à república?
- Não. Hoje não me satisfaz nem uma coisa nem outra.
- Então?
- É um desejo que tenho de justiça para todos.
Sem dúvida, a humanidade está longe ainda da elevação colectiva que eu sonho para ela. Mas a elevação é coisa tão lenta e a vida de cada um tão pequena, que eu, às vezes, penso que a sede de justiça que há por toda a parte acabará por marchar à frente...
Penso que têm razão os que querem um mundo mais justo.
Ferreira de Castro
«A Selva»
sábado, 6 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Palavras Roubadas...
O sentido do sentido das coisas
As coisas sem sentido
Sentir as coisas que não fazem sentido
Ir na corrente sem sentido
Faz sentido ir na corrente do sentido?
Como parar uma corrente sem sentido?
As coisas, o sentido, a corrente...
faz sentido?
O sentido das coisas
É não terem sentido nenhum?
Só faz sentido fazer as coisas se tiverem sentido?
A toda a pressa para lado nenhum?
João P.
Blogue: Como se de um diário se tratasse...
As coisas sem sentido
Sentir as coisas que não fazem sentido
Ir na corrente sem sentido
Faz sentido ir na corrente do sentido?
Como parar uma corrente sem sentido?
As coisas, o sentido, a corrente...
faz sentido?
O sentido das coisas
É não terem sentido nenhum?
Só faz sentido fazer as coisas se tiverem sentido?
A toda a pressa para lado nenhum?
João P.
Blogue: Como se de um diário se tratasse...
terça-feira, 2 de novembro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Págª 107
A cegueira e a obstinação dos homens lembra-me às vezes a cegueira e a obstinação das varejeiras enfrenizadas contra as vidraças. Bastava um momento de serenidade, dez-réis de bom senso,e em qualquer fresta estava a liberdade. Mas o demónio da mosca, quanto mais a impossibilidade se lhe põe diante, mais teima. O resultado é cair morta no peitoril.Miguel Torga
«Diário (1943)»
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
sábado, 16 de outubro de 2010
Palavras Roubadas...
Hoje Fico à Tua Espera
Hoje fico à tua espera.
Pego em giz colorido
E desenho uma porta, a castanho.
Recorto uma chave de papel,
Pego nela e abro a porta.
Depois, com giz cinzento
Desenho uma estrada muito comprida
Ponho árvores verdinhas nas bermas,
Papoilas vermelhas nos campos
E um rebanho a pastar.
Com o giz azul faço um rio e peixes.
Em tons de musgo, pinto um velho barco
Parado na margem.
Ao longe, espalho pó roxo e rosa
Na curva das montanhas, perto do céu.
Por fim, faço um grande sol amarelo.
Não pinto nenhuma nuvem,
Nem branca nem cinzenta
Pode chover
E não quero que te molhes
Quando vieres.
Hoje fico à tua espera
Quero dar-te o meu desenho.
Lídia Borges
Blogue: Searas de Versos
Hoje fico à tua espera.
Pego em giz colorido
E desenho uma porta, a castanho.
Recorto uma chave de papel,
Pego nela e abro a porta.
Depois, com giz cinzento
Desenho uma estrada muito comprida
Ponho árvores verdinhas nas bermas,
Papoilas vermelhas nos campos
E um rebanho a pastar.
Com o giz azul faço um rio e peixes.
Em tons de musgo, pinto um velho barco
Parado na margem.
Ao longe, espalho pó roxo e rosa
Na curva das montanhas, perto do céu.
Por fim, faço um grande sol amarelo.
Não pinto nenhuma nuvem,
Nem branca nem cinzenta
Pode chover
E não quero que te molhes
Quando vieres.
Hoje fico à tua espera
Quero dar-te o meu desenho.
Lídia Borges
Blogue: Searas de Versos
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Outra Janela...
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Da Janela Sul...
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Leituras
Amar Teus Olhos
Podia com teus olhos
escrever a palavra mar.
Podia com teus olhos
escrever a palavra amar
não fossem amor já teus olhos.
Podia em teus olhos navegar
conjugar os verbos dar e receber.
Podia com teus olhos
escrever o verbo semear
e ser tua pele
a terra de nascer poema.
Podia com teus olhos escrever
a palavra além ou aqui
ou a palavra luar,
recolher-me em teus olhos de lua
só teus olhos amar.
Podia em teus olhos perder-me
não fossem, amor, teus olhos,
o tempo de achar-me.
Carlos Melo Santos
«Lavra de Amor»
Podia com teus olhos
escrever a palavra mar.
Podia com teus olhos
escrever a palavra amar
não fossem amor já teus olhos.
Podia em teus olhos navegar
conjugar os verbos dar e receber.
Podia com teus olhos
escrever o verbo semear
e ser tua pele
a terra de nascer poema.
Podia com teus olhos escrever
a palavra além ou aqui
ou a palavra luar,
recolher-me em teus olhos de lua
só teus olhos amar.
Podia em teus olhos perder-me
não fossem, amor, teus olhos,
o tempo de achar-me.
Carlos Melo Santos
«Lavra de Amor»
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Leituras
Sob o Azul
o primeiro nome da terra
e todos os lugares de véspera
sob o azul
na pedra
transbordando
sob o azul dessa brancura
a que darei voo
pétala
um só prelúdio de onda
e as moradas do tempo
como nas lágrimas
fonte
e infinito
Marta Fialho
in «O escritor» nº24/25 -Dez.2009
o primeiro nome da terra
e todos os lugares de véspera
sob o azul
na pedra
transbordando
sob o azul dessa brancura
a que darei voo
pétala
um só prelúdio de onda
e as moradas do tempo
como nas lágrimas
fonte
e infinito
Marta Fialho
in «O escritor» nº24/25 -Dez.2009
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Págª 107
Mas não há nada tão decepcionante como desvendar um mistério. É como desvendar o truque de um prestigitador. Ficamos irritados retrospectivamente connosco por ter visto um mistério onde não havia. O mistério deve preservar-se para salvaguardarmos o respeito e o medo e haver ordem no mundo.
«Até ao Fim»
Vergílio Ferreira
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Da Janela Norte...
«Harmonioso vulto que em mim se dilui.
Tu és o poema
e és as origem donde ele flui.
Intuito de te ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido.»
Natália Correia, in "O Livro dos Amantes"
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
sábado, 21 de agosto de 2010
Autores
Neste corpo, a densa neblina, quase um hábito,
lentamente descida, sedimento e sede,
subtilmente o acalma. Ancora que se desloca,
movediça e infirme. Só no olhar, além
da luz e da cal, se distinguem os desejos
e a mestria das palavras. E não há remos
nem astros. Convido a neblina a esta
mesa de chumbo, onde nada levanta o fogo
solar ou os signos se alteiam. É a hora
em que o corpo treme e a sombra lavra as frouxas
manhãs. O que serão as tardes, sob a névoa,
quando o vigor agoniza e o vão das águas abre
o caos e os ecos? Estaremos em paz,
usando a palavra, última herdeira das areias.
Orlando Neves
«Decomposição - o Corpo»
lentamente descida, sedimento e sede,
subtilmente o acalma. Ancora que se desloca,
movediça e infirme. Só no olhar, além
da luz e da cal, se distinguem os desejos
e a mestria das palavras. E não há remos
nem astros. Convido a neblina a esta
mesa de chumbo, onde nada levanta o fogo
solar ou os signos se alteiam. É a hora
em que o corpo treme e a sombra lavra as frouxas
manhãs. O que serão as tardes, sob a névoa,
quando o vigor agoniza e o vão das águas abre
o caos e os ecos? Estaremos em paz,
usando a palavra, última herdeira das areias.
Orlando Neves
«Decomposição - o Corpo»
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Autores
«Esta é a verdade: a vida começa quando a gente compreende que ela não dura muito.»
Millôr Fernandes
Millôr Fernandes
sábado, 14 de agosto de 2010
Outra Janela...
sábado, 10 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
domingo, 27 de junho de 2010
Autores
Conhece alguém as fronteiras à sua alma, para que dizer - eu sou eu ?
Fernando Pessoa
«Livro do Desassossego»
sábado, 26 de junho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
Autores
Quem veio escrever estas palavras? Abre
sem pressa o livro, mas nem sequer o leias
todo. Deixa que fiquem algumas dessas páginas
caídas ao teu lado. Assim talvez encontres
a imobilidade que finalmente existe
no seu interior. É tudo o que recebes
de alguém que nem sequer te pode conhecer
quando faz para ti um derradeiro gesto.
Fernando Guimarães
«Lições de Trevas»
sem pressa o livro, mas nem sequer o leias
todo. Deixa que fiquem algumas dessas páginas
caídas ao teu lado. Assim talvez encontres
a imobilidade que finalmente existe
no seu interior. É tudo o que recebes
de alguém que nem sequer te pode conhecer
quando faz para ti um derradeiro gesto.
Fernando Guimarães
«Lições de Trevas»
sexta-feira, 18 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Leituras...
A propósito de cada desejo deve-se colocar a questão: «Que vantagem resultará se eu não o satisfizer?»
Epicuro
Grécia Antiga (Samos, 341 a.c - Atenas, 270 a.c)
segunda-feira, 14 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
13 de Junho de 1888
Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.
Fernando Pessoa
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.
Fernando Pessoa
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