terça-feira, 25 de setembro de 2007

Da janela norte...

vinhas do povo

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

voz do povo

Muito sabe o rato; mas mais sabe o gato!

domingo, 23 de setembro de 2007

Autores...

Eram os estudantes, como são hoje, como foram sempre, aqui e em todos os países, a boémia expansiva, romanesca, irrequieta, ao mesmo tempo temida e fascinadora.
[...]
Quantas vezes não correm atrás de uma loucura, como fanáticos, e quantas buscas de um ideal, como sonhadores? Na febre doida da troça ou na irreflectida prosápia das tradições de classe, vão até à impertinência, chegam até ao motim; mas tanto os defende o prestígio da própria mocidade, que não raras vezes lhe perdoa a gente a sua irreflectida audácia.
Depois, dispersos pela sociedade, noutro meio e noutra idade, por muito que tenham subido e mudado, nunca mais se lhes apaga a consoladora saudade daquela doida boémia, em plena alegria, no doirado mundo das ilusões, que nunca mais viram, que nunca mais encontraram. É uma longínqua aurora que se lhes reflecte na alma, tanto mais saudosa quanto mais distante!
António de Campos Júnior (1850-1917)
Guerreiro e Monge - 6ª Ed. 1952

sábado, 22 de setembro de 2007

Outra janela...

rumo sem rumo

Ao amanhecer ...

A HORA DA PARTIDA

A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
As árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Da janela norte...

apenas um lugar

Ao anoitecer...

Guardava alguns silêncios e também as coisas
que não dissera por acaso. Guardava agora também
esses acasos, brancos recados entre as palavras
que lhe sobravam nas gavetas. E ainda assim guardaria
para sempre essas palavras, ou a imagem de lábios a
dizê-las - um rosto ainda sem ser triste lembrando o verão.

Teria aguardado esse verão, o cheiro quente dos morangos
à beira dos dedos. E tê-lo-ia sobretudo guardado,
como guardava agora, sem nunca o ter ouvido, o som
das espigas, na planície, à passagem do vento.

Mas agora só podia aguardar a passagem do tempo
sem palavras; ou um vento de feição, um acaso
que tudo justificasse. E no silêncio em que se ia guardando
buscava apenas um lugar mais sereno para as memórias.


Maria do Rosário Pedreira
A Casa e o Cheiro dos Livros

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Outra janela...

brinco...

1 2 3, diz outra vez!

Pardal pardo, porque palras?
Palro sempre e palrarei
Porque sou o pardal pardo
E palrador del- rei.

domingo, 16 de setembro de 2007

voz do povo

A paciência é amarga, mas o seu fruto é doce.

sábado, 15 de setembro de 2007

Da janela norte...

7 horas na Serra

Autores...

Semear, ceifar, malhar
são as três fases
essenciais da vida rural,
no fundo correspondentes
aos três tempos de tudo
o que vive e evoluciona à
superfície da terra.

Aquilino Ribeiro

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

1 2 3, diz outra vez!

Tenho um colarinho
Muito bem encolarinhado.
Foi o colarinhador
Que me encolarinhou
Este colarinho.
Vê se és capaz
De encolarinhar
Tão bem encolarinhado
Como o colarinhador
Que me encolarinhou
Este colarinho.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Da janela sul...

silêncio no tempo

Ao amanhecer ...

Uma árvore. Há muito que a viemos plantar. Hoje
as nossas mãos estremecem, procuram leves
gravuras perdidas na terra, agora humedecidas
pelo tempo que passa. Há-de ficar tudo
mais tranquilo e reconhecemos ainda a sombra
caída ao nosso lado. Este foi o segredo
que estava prometido e ainda nos pertence. Sabes
como as folhas são maiores quando as olhamos.

Fernando Guimarães
Lições de Trevas

domingo, 9 de setembro de 2007

Outra janela...

na sombra

Autores...

«Lia lentamente, juntando as sílabas, murmurando-as a meia voz como se as saboreasse, e, quando tinha a palavra inteira dominada, repetia-a de uma só vez. Depois fazia o mesmo com a frase completa, e dessa maneira se apropriava dos sentimentos e ideias plasmados nas páginas.
Quando havia uma passagem que lhe agradava especialmente, repetia-a muitas vezes, todas as que achasse necessárias para descobrir como a linguagem humana também pode ser bela.»

o velho que lia romances de amor
Luis Sepúlveda

sábado, 8 de setembro de 2007

Romance....

Nesta rentrée bloguista o jogo entre palavras e imagens começou da melhor forma mais uma vez no blogue Palavra Puxa Palavra, a palavra escolhida foi Romance. A Casa de Maio participou assim:

...cartas d'amor quem as não tem.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Na última gaveta...

Cintra
Grav. - s.d.

voz do povo

Setembro, ou seca as fontes ou leva as pontes.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Da janela norte...

fios de ferro

Ao entardecer...

ESTUDO

Através da janela
mando
a negra razão
falar com a
paisagem.

Ernest Meister (Alemanha, 1911-1979)
Trad. de João Barrento.

domingo, 2 de setembro de 2007

Outra janela...

ninho II

Autores...

MADRUGADA

Rápidas mãos frias
retiram uma a uma
as vendas da sombra
Abro os olhos
Ainda
estou vivo
No centro
de uma ferida ainda fresca.

Octavio Paz (México, 1914-1998)
Trad. de José Bento

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Da janela norte...

quase um nocturno

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

voz do povo

Por onde vás - assim como vires, assim farás.

Da janela sul...

luz de cal

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Ao entardecer...

Que é das palavras? Como chamar
por quem as esconde se, sem elas,
nem o silêncio tem nome?

Maria do Rosário Pedreira
O Canto do Vento nos Ciprestes

Autores...


«As imagens que tinha encontrado horas antes no mesmo percurso, em sentido ascendente, pareciam-lhe agora mais profundas, e com uma definição mais perfeita.
Talvez fossem truques do sol...ou então da sua sensibilidade... »

Esta é uma das muitas passagens que se podem saborear neste livro, uma colectânea de estórias bem contadas, onde as palavras nos prendem a cada personagem com muito engenho.
Foi uma excelente leitura em tempo de férias!
Obrigada Luís Milheiro.

domingo, 26 de agosto de 2007

Outra janela...

em decrescente

Autores...

«Snobe? Só o suficiente para com os snobes
se mostrar snobe; ou, se necessário,
mais snobe que os próprios snobes.»

David Mourão-Ferreira
in Jogo de Espelhos

sábado, 25 de agosto de 2007

Da janela sul...

vaga a manhã

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Tempo de agradecer...

fragmentos

A Casa de Maio foi convidada pelo Victor Nogueira, a participar intermitentemente num dos seus interessantes blogues, convite que aceitou com muito gosto, assim convido-vos a visitarem o blogue: Ao Sabor do Olhar.
Grata Victor.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Outra janela...

pinga-a-cor

Ao entardecer...

É dentro de uma flor que fica outra flor. Mas
esta é maior ainda. Nela é que se encontravam
as pétalas sobrepostas, a mais alta de todas
as hastes, o súbito perfume que procurava o corpo
de ninguém e, depois, se torna ali mais puro
até que continue outra flor, que ficava perdida
no interior das duas para que já não tenha
limites. E há-de esta ser por fim aquela que colhemos.

Fernando Guimarães
Lições de Trevas

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Da janela sul...

língua

Tempo de agradecer...

O blog O Cheiro da Ilha escolheu a Casa de Maio como:


Desta vez não irei nomear ninguém como mandam as regras, pois todos os Amigos da Casa, cada um de sua maneira, tem o brilho de uma estrela.

Obrigada Maria por este mimo!

domingo, 19 de agosto de 2007

Da janela norte...

a negro

Autores...

Uma casa navega no tempo
como um barco subindo o rio.
Por fim sem marinhagem
por fim sem mastreação.
Por fim ancorada nas janelas exorbitadas
onde as luzes são paisagens lunares
e o silêncio tem um perfil negro.

Fernando Namora

sábado, 18 de agosto de 2007

Outra janela...

varandas a norte

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

1 2 3, diz outra vez!

Tenho uma capa bilrada, chilrada, galripatalhada;
Mandei-a ao senhor bilrador,chilrador,galripatalhador;
Que ma bilrasse, chilrasse, galripatalhasse,
que eu lhe pagaria bilraduras, chilraduras, galripatalhaduras.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Outra janela...

verdes II

Ao entardecer...

DOS PINHAIS
Ondulando, os pinhais
quiseram ser o mar.
Murmurando, quiseram ser
o vento. Mas somente
no meu ouvido eram vento,
nos meus olhos, mar.

E hoje, ali na encosta,
pinhais bordejam
o mar, sustêm o vento.

Fiama Hasse Pais Brandão
As Fábulas

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Na última gaveta...

Costa da Caparica
s.d.

voz do povo

Água de Agosto: açafrão, mel e mosto.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Da janela norte...

verdes

... era uma vez

O leque
A provável origem do leque foi a China, onde se tornou parte integrante do costume nacional, sendo usado pelos reis como um sinal de dignidade.
O leque integrou, ainda, várias outras culturas: no Egipto era uma honra poder-se abanar o Faraó; na Grécia, abanar a esposa durante o sono era uma grande prova de amor do recém-casado, garantindo-lhe o perdão por qualquer falta por ventura cometida.
Os leques difundiram-se por toda a Europa, entre os séculos XVII e XIX, tornando-se um complemento indispensável à vaidade feminina, invadindo os salões e inspirando poetas e pintores.
O uso do leque envolve, ainda, outras funções além do refrescar. Entre namorados e amantes, há toda uma linguagem codificada, tocar levemente os cabelos com o leque significa: não me esqueças ...

sábado, 11 de agosto de 2007

Outra janela...

infinitivo

De novo...

O universo, que é como um edifício sem paredes,
ou as cores que julgamos ver no céu,
tudo é obra de um mestre ilusionista chamado Ignorância.

Yogasishtha -
Índia

Trad.: Manuel João Magalhães