terça-feira, 18 de março de 2008

Outra Janela...

Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito.

Fernando Pessoa
Livro do Desassossego

segunda-feira, 17 de março de 2008

Da janela sul...

entre-nós

Ao entardecer...

Quantas pessoas caminham na
minha direcção? Quantas me
descobrem por entre a multidão
e pousam os seus olhos inteiros
nos meus olhos? Podia acreditar

que entre elas está o homem que
trocaria comigo os dedos sobre a
mesa, uma palavra que fosse gomo
de laranja e poema, o corpo aceso

sob o lençol cansado de mais um
dia. Mas quantos destes rostos de
pedra que me cercam escondem o
seu pelas ruas desta tarde? Quantos
nomes de acaso e de silêncio terei
eu de escutar para descobrir o seu

no meu ouvido? Quantas pessoas
caminham contra mim?

Maria do Rosário Pedreira
Nenhum Nome Depois

domingo, 16 de março de 2008

Exposto


Numa epidemia a morte é desvalorizada. Porque se não desvaloriza no nosso quotidiano, que é como se houvesse também uma epidemia, embora ao retardador?

in: Escrever
Vergílio Ferreira


Exposto, palavra-mote do foto-dicionário do blogue Palavra Puxa Palavra que mais uma vez, apresentou uma belíssima colecção de fotografias sobre o tema, esta foi a imagem escolhida pela Casa de Maio.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Da janela norte...

fim infinito

Ao amanhecer ...

E eis que não há senão
o quase silêncio
cingindo o sopro veemente
de uma terra fecundada
sob a luz
dessas manhãs de maio
e tão perto
a memória do teu canto

Onde estão os gerânios?
E o meu regaço?

Entre Pássaros e o Mar
Maria A. Mitelo

quarta-feira, 12 de março de 2008

Da janela sul...

apetece (me) Maio

voz do povo

Depois da tempestade...vem a bonança.

terça-feira, 11 de março de 2008

Outra Janela...

por estaca

... era uma vez

Cais Palafítico
A Carrasqueira é uma aldeia do Concelho de Alcácer do Sal e localiza-se na Reserva Natural do Estuário do Sado…Um dos seus pontos de interesse é o seu Cais Palafítico, um bordado de madeira acente em estacas, que os pescadores foram erguendo para se protegerem das investidas das águas. Ainda hoje se podem ver os vários caminhos que serpenteiam o lodo, onde homens e muitas mulheres que se dividem entre a faina e o amanho da terra, marcam o tempo... Tendo começado com ameijoa, depois as ostras (facto que influênciou muito o desenvolvimento da pesca) e actualmente com a apanha do polvo e chocos.
Visita agradável de fazer, onde somos bem recebidos pela palavra simples do homem e pela simpatia da mulher de chapéu de palha e rosto sem idade...


domingo, 9 de março de 2008

Outra Janela...

jogo de paus

Autores

Tínhamos deixado a sombra do acampamento e, ao longo do rio de areia que era a estrada, deslizávamos em direcção ao sol poente. O mato espesso da beira da estrada era denso como uma moita, com pequena colinas que se elevavam e durante todo o percurso passámos por pessoas que se dirigiam em direcção ao oeste. Alguns iam nus, apenas com um pano engordurado enrolado num ombro e levavam arcos e carcases de flechas. Outros levavam lanças. [...]
Todo fugiam à fome.

As verdes colinas de África
Ernest Hemingway

sábado, 8 de março de 2008

Da janela sul...

Atlântico

Mar,
Metade da minha alma é feita de maresia.

Sophia de Mello B. Andresen

quinta-feira, 6 de março de 2008

quarta-feira, 5 de março de 2008

1 2 3, diz outra vez!

O pato
Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há.
O Pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.

Porque a minha amiga do Nada de Novo fez referência ao PATO na caixa de comentários da foto anterior, eu fiquei curiosa (porque sou) e fui procurar a versão completa.
Agora digam todos...

terça-feira, 4 de março de 2008

Outra Janela...

amorosos

voz do povo

Março amoroso faz o ano formoso.

domingo, 2 de março de 2008

Da janela sul...

(in)fluente

Ao entardecer...

É no momento que encerra a beleza de um gesto
que se prolonga a vida -

Na carne afeiçoada à mão apagam-se os sinais
de antigas fogueiras: o dilúvio do amor
veio lavar as cicatrizes deste mundo; e as pregas
de um rochedo que desafia o génio das marés
não lembram mais do que uma colcha amarrotada.

Agora, pode pintar-se o retrato do vento
nos esquadro da janela. O tempo não se mexe.
A vida, por um instante, é enorme.

Maria do Rosário Pedreira
O Canto do Vento nos Ciprestes

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Outra Janela...

O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade.

Livro do Desassossego
Fernando Pessoa

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Da janela norte...

porta aberta

Ao entardecer...

Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.


Sophia de Mello B. Andresen

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Outra Janela...

retalhos de pedra

voz do povo

O passado dá saudades, o presente dissabores e o futuro receios.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Da janela norte...

(a) cerca


Autores

E se te sentasses
comigo e com a tua
presença me
reinventasses
o calor do lar.
E cumpríssemos
os dois o ritual
dos deuses
na nossa morada.

Vergílio Ferreira

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Hoje convido...



Porque nem sempre dos olhares nascem palavras
Porque nem sempre dos sentires surgem emoções
Porque gosto das vossas palavras
Hoje convido, quem quiser, a escolher a legenda...

Bom fim-de-semana!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Outra Janela...



já não tenho nada a ter senão no sonho
por onde vou já indo sem daqui partir
em asas mais ligeiras que as do vento

Poema a uma deusa índia
Carlos Frias de Carvalho

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Da janela sul...

arrasto

Ao amanhecer ...

Procurei-te
na lisura das palavras
no limiar do silêncio
de onde brota a justa claridade
como só em um tempo antigo
e remoto

Procurei-te
por teu nome de infância
nu aberto ao tempo
fosse noite ou dia
ao vento e à chuva
para te dizer do amor

Maria A. Mitelo
Entre Pássaros e o Mar

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Outra Janela...

ontem 12 palavras - hoje 12 pétalas

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Desafio - 12 palavras...

Recebi este desafio do blogue aArtmus, obrigada. Confesso que ao contrário das Correntes de Prémios, eu gosto destes jogos, como gostei do Desafio da Página 161. Assim neste caso temos de escolher 12 palavras, aquelas que nos dizem algo em especial, e formar um texto. Resolvi então fazer o seguinte: escolhi as minhas 12 palavras e descrevi o que representam para mim, sinónimos...
São estas, sem qualquer ordem:

Belíssima - som e tom leve, suave;
Guitarra - força, acordes nocturnos;
Carinho - segredos;
Amanhecer - tempo sem pressa;
Luz - surpresa;
Beijo - longo permanecer em surdina;
Caminho - olhar em frente, solidão;
Retalhos - união, o belo e o feio;
Olhares - transparência, revelação;
Janela - oferecer;
Luvas - sossego, passeio em tarde fria;
Cerejas - doce sabor a palavras.
Agora terei de passar a palavra a 12 pessoas, aqui fica então o meu convite a:

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Da janela norte...

bilhete-postal

Autores

Certamente é bom que o mundo conheça apenas a obra bela e não as suas origens nem as condições em que foi gerada; pois o conhecimento das fontes de onde provém a inspiração para o artista causaria frequentemente perturbação e espanto, neutralizando assim os efeitos da excelência.

Morte em Veneza
Thomas Man

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Na última gaveta...


Da Costa de Cascais
Aqui, na orla do mar, as cruzes
são sinais de pescadores perdidos
no fundo, mortos, quando buscam
o sal da vida. Em vez de a sua força
fazer ceder a vaga sob o anzol,
é a força do mar ou a paixão da vida
- arquejante e morta -
que os puxa para um purgatório
de água revolta e de limos.

Fiama H. Pais Brandão

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Da janela sul...

mar (que) vivo

voz do povo

Não há mar bravo que não amanse.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Ao amanhecer ...

A solidão mostra o original, a beleza ousada e surpreendente, a poesia. Mas a solidão também mostra o avesso, o desproporcionado, o absurdo e o ilícito.

Morte em Veneza
Thomas Mann

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Outra Janela...

uma-a-uma

Autores

Amar: Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro.

Mário Quintana

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Da janela norte...

numa tarde de domingo

Ao entardecer...

Poema que aconteceu

Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Fotogénico


É Sexta-feira?!...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Da janela sul...

sul arado

Ao entardecer...

Eu vi do dia a súbita dádiva
do sol sobre as mãos tímidas
e cantei antecipando o céu de abril

E o ar percorrido do breve silabar
por que branda respiração
e assim líquidos perfumes

oscilou
e se dispersou
em memórias longínquas

E o sul tão perto.

Maria A. Mitelo
Entre Pássaros e o Mar

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Outra Janela...

abaixo dos céus

... era uma vez

4 palavras

Janela:
do Lat. januella
s. f.,
abertura na parede de um edifício para deixar entrar a luz e o ar;
a porta com que se fecha ou tapa essa abertura;
Anat.,
cada um dos orifícios abertos na parede interna do fundo da membrana do tímpano (janela oval, janela redonda);
fam.,
abertura ou rasgão;
pop.,
(no pl. ) os olhos.

Janelo:
s. m.,
pequena janela;
postigo.
Janeleiro:
adj. e s. m.,
que ou o que gosta de estar à janela.
Janeleira:
adj. f.,
amiga de estar à janela;
namoradeira.

in, Dic. de Língua Portuguesa
Texto Ed.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Outra Janela...

e o céu ao lado

Ao entardecer...

Porque ao longe
se cala o mar
e o ar avermelha
as linhas indistintas do horizonte

Porque os meus olhos
em ti se demoram
serenos
e os céus nos fitam suspensos

Porque juntos
palpamos a espuma breve
nunca mais invocarei
a inclemência dos caminhos

Maria A. Mitelo
Entre Pássaros e o Mar

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Outra Janela...

Diz o povo: é Carnaval ninguém leva a mal!
Por isso a Casa vestiu a preceito as janelas a apresentar, e assim reinar...