segunda-feira, 6 de novembro de 2006

1 2 3, diz outra vez!

Rei, rainha

Rei, rainha
Carlota, Joaquina
Fidalgo, ladrão
Menina bonita
Do meu coração
Rei, capitão
Soldado, ladrão
Menina bonita
Do meu coração
Lenga-lenga tradicional.

domingo, 5 de novembro de 2006

Na última gaveta...

Postal, s.d.

... era uma vez

O Bule...

A fábrica de faiança da Viúva Antunes teve origem na vila de Estremoz por volta de 1770.
A faiança estremocense destaca-se pelos adensados tons dos desenhos a formar heptágonos e polígonos de guirlandas e cercaduras, festões, etc., é também bastante variada na decoração central das peças, por vezes idêntica à de outras origens.
No Bule, estilo inglês "Adam" combinam-se as mesmas tonalidades, que encadeia folhagens e curvas como elos duma pulseira.

sábado, 4 de novembro de 2006

Comentários vossos...

legivel disse...

Ofereceu-me chá,
do bule.
Ofereci-lhe um vestido,
de tule.
Ficava-lhe bem,
à Otília.
Soube-me melhor o chá,
de tília.

Um poemazinho singelo que ofereço à minha amiga virtual Maria P., desejando-lhe um óptimo fim-de-semana.

A Maria P. agradece.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Coisas do sótão...


Colecção Particular

... era uma vez

O CAFÉ

Entre os árabes conta–se que, em tempos idos, Alá, pela voz do profeta Maomé, lhes proibiu o uso de vinho. Eles obedeceram, mas andavam tristes e melancólicos, sem terem uma bebida reconfortante.
Certo dia de Verão, um pastor ia pelo campo com o seu rebanho e, tanto ele como os seus animais, caminhavam com indolência por estar um calor sufocante.
De repente, a paisagem transformou-se e apareceu um vale cheio de arbustos muito verdes.O rebanho, para matar a fome e a sede, devorou, avidamente, aquela verdura. Qual não foi o espanto do pastor, quando, pouco tempo depois, viu os animais a darem cambalhotas e a correrem de um lado para o outro, cheios de vida.
Assombrado, o pastor apanhou um punhado de grãos dos arbustos e foi contar a um velho mago o que acontecera. Este ferveu os grãos em água e obteve um líquido aromático - CAFÉ - que os dois homens beberam, sentindo logo uma alegre sensação de vivacidade.
Acharam então que aquilo tinha sido uma dádiva do seu deus para os compensar da proibição de beberem vinho.

Fonte:
Conhecer Universal; Ed. Abril Cultural, 1981.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Pelo campo...

solta-se o fruto...

Ao entardecer...

Dei-te o meu corpo como quem estende
um mapa antes da viagem, para que nele
descobrisses ilhas e paraísos e aí pousasses
os dedos devagar, como fazem as aves
quando encontram o verão. Se me tivesses

tocado, ter-me-ia desmanchado nos teus braços
como uma escarpa pronta a desabar, ou
uma cidade do litoral a definhar nas ondas.

Mas, afinal, foste tu que desenhaste mapas
nas minhas mãos - tristes geografias,
labirintos de razões improváveis, tão curtas
linhas que a minha vida não teve tempo
senão para pressentir-se. Por isso, guardo

dos teus gestos apenas conjecturas, sombras,
muros e regressos - nem sequer feridas
ou ruínas. E, ainda assim, sem eu saber porquê,
as ondas ameaçam o lago dos meus olhos.

Maria do Rosário Pedreira
O Canto do Vento nos Ciprestes

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Da janela norte...

Lá em cima...

voz do povo

De Todos-os-Santos até ao Natal, bom é chover e melhor nevar!

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Outra janela...

a ferro e pedra !

mitos & milho-rei

Odin

O Pensamento.
Deus da poesia, da eloquência, da sabedoria e das fórmulas mágicas, foi o mais antigo e poderoso dos deuses da mitologia germânica e escandinava; um dos ases.
Não criou o mundo, mas ordenou-o e governou-o.
Era, por execelência, o deus da guerra e da bravura, e, como tal, guiava e protegia os valentes, fazendo-os sucumbir honrosamente em combate, para os recolher ao Valhalla, palácio em Asgard - céu - paraíso dos guerreiros e morada dos mortos em combate.
Tinha o dom de tomar todas as formas imagináveis; voava nas asas dos ventos, sobre os quais exercia soberania; sabia onde havia metais ocultos no seio da terra, e tinha o poder de dominar os elementos e fenômenos naturais, pelo que podia apagar o fogo, dirigir os ventos, acalmar os mares e distribuir calamidades, amores e ciúmes; daí a sua denominação de Gondir: feiticeiro.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Outra janela...

... recados

mezinhar...

Salva

Esta planta encontra-se em solos calcários, e nas encostas. Planta arbustiva aromática de base lenhosa. Caules quadrangulares com folhas carnudas e opostas. As flores são azuis e dispostas em espigas terminais.
Da planta utilizam-se as folhas, frescas ou secas, em infusão. Em gargarejos combate as úlceras da boca e dores de garganta.
Nas doses certas!

domingo, 29 de outubro de 2006

Pelo mar...

no limite

Ao amanhecer ...

Da margem esquerda da vida

Da margem esquerda da vida
Parte uma ponte que vai
Só até meio, perdida
Num balo vago, que atrai.

É pouco tudo o que eu vejo,
Mas basta, por ser metade,
P'ra que eu me afogue em desejo
Aquém do mar da vontade.

Da outra margem, direita,
A ponte parte também.
Quem sabe se alguém ma espreita?
Não a atravessa ninguém.

Reinaldo Ferreira

sábado, 28 de outubro de 2006

Ao entardecer...

refúgio

A todos...

Porque alguém "puxou as orelhas" à Maria P. e com toda a razão venho pedir desculpa.
- E porquê?!
Dizem e pensam os meus Amigos.
Porque repeti a imagem da lamparina colocada no post "Coisas do Sótão", já tinha sido publicada no mês de Julho...mas acreditem por vezes a falta de Luz, a tal Luz, a verdadeira, leva a estes exageros.

Não foi por mal.
Maria P.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Outra janela...

anulação

Ao meditar...

Castração da Personalidade

O homem, quando só, sente-se incompleto - tem medo. Opor-se à grei significa separar-se, permanecer só, morrer. Os conceitos do bem e do mal nascem da necessidade de convivência. É bem o que aproveita ao grupo, mal o que o prejudica ou não beneficia. O rebanho não quer que cada ovelha pense demasiado em si, e como a privilegiada é a que obtém a boa opinião das outras, vê-se forçada, ainda que contra os seus gostos e interesses, a agir no sentido do bem supremo do rebanho. Há que pagar, com a castração da personalidade, a segurança contra o medo.

Giovanni Papini, in «Relatório sobre os Homens».

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Da janela norte...

gémeas...

1 2 3, diz outra vez!

Moleirinha

Oh! que lindos olhos tem
ai, a filha da moleirinha
tão mal empregada ela
andar ao pó da farinha

Trigueirinha me chamaste
ai, eu de sangue não o sou
isso de andar à farinha
foi o sol que me crestou

Trigueirinha me chamaste
eu por isso não me zanguei
trigueirinha é a pimenta
e vai à mesa do rei

Cantilena tradicional.
Trás-os-Montes ?

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Coisas do sótão...

A todos...

A Casa de Maio nos últimos dias não abre as suas janelas, gavetas, o sótão, e até mesmo não visita os seus Amigos, com a frequência que gosta e quer, porque existe uma inimiga chamada Net que está constantemente a desligar a energia na Casa.
Tem sido feito um esforço enorme para tentar abrir a porta da Casa, mesmo que por breves momentos.
Assim, mesmo às escuras pela Casa, quero pedir desculpa pela ausência, e por não ser a companhia assídua que gosto nos vossos sítios.
Beijinhos de Maio a todos.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Pelo jardim...


espelho meu!... espelho meu !...

Ao adormecer...

O teu nome

Flor de acaso ou ave deslumbrante,
Palavra tremendo nas redes da poesia,
O teu nome,como o destino,chega,
O teu nome,meu amor,
o teu nome nascendo

De todas as cores do dia!

Alexandre O'Neill

domingo, 22 de outubro de 2006

Outra janela...

11

passos

a

contar

do

céu

mitos & milho-rei

Silfos

Gênios do ar que, segundo a crença germânica da Idade Média, viviam em Alfheim, e ocupavam, no mundo invisível, um lugar intermediário entre o duende e a fada. Nos tempos do pagnismo, a fantasia popular deu-lhes as mais variadas formas; ora são grandes e disformes, ora pequenos e feios, e ora formosos, sendo que hoje são apresentados sob a figura de encantadora donzela.
Vivem nas colinas, e atraem os homens com o encanto da sua voz.

sábado, 21 de outubro de 2006

Pelo campo...

... frágil ?

Para...

Pitanga Doce

Pedro Álvares Cabral

Navegador português, nascido em Belmonte, por 1467/68, e a quem D. Manuel I confiou o comando da segunda armada que mandou à Índia.
Partiu Cabral de Lisboa em 9 de Março de 1500, e, como se tivesse desviado a sua rota para descobrir novas terras, não tardou a encontrar o Brasil, a 3 de Maio de 1500, no dia de Santa Cruz. Daí seguiu para a Índia.
No seu regresso, D. Manuel concedeu-lhe muitas honras, mas nunca mais utilizou os seus serviços.
Pedro Álvares Cabral morreu esquecido em Santarém, uns dizem em 1520,outros em 1526.

Belmonte, capela de Sto. António.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Ao (não) adormecer...

Poema Antigo

O homem que percorro
com as mãos

e a lua que concebo
na altitude
do tédio

Só
o oceano
penso paralelo — ventre
à praia intata
das janelas brancas
com silêncio

ciclamens-astros
entre
as vozes que calaram
para sempre
o verbo — bússola
com raiz — grito de relevo

O homem que percorro
com as mãos

a estátua que consinto

a lua que concebo.

Maria Teresa Horta

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Da janela norte...

nascer do granito

... era uma vez

Vastos horizontes

A paisagem da Beira Alta é feita de contrastes que a tornam mais original e bela. Em torno do planalto os cerros elevam-se, principalmente a Estrela com as suas grandes vagas de granito mudando de cor com as variações do sol e o Caramulo, mais modesto na sua elevação, mais garrido nas suas ondulações arborizadas, impõem a sua grandeza.
Mas nas terras baixas é uma sinfonia de verdes, o verde baço das oliveiras, o verde carregado dos pinheiros, o verde mais leve das hortas, pomares e dos vinhedos numa harmonia graciosa e fresca.

Na última gaveta...

Espigueiro beirão

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

voz do povo

Aberta na Serra, chuva na Terra.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Outra janela...

um reino perdido....

mitos & milho-rei

Niso

Irmão de Egeu, segundo a lenda, reinava em Mégara, quando a cidade foi ocupada por Minos. A salvação da pátria dependia de um fio de cabelo cor púrpura que Niso possuia entre seus cabelos brancos; mas, a sua filha Cila (Scylla), louca de paixão por Minos, cortou-lhe traiçoeiramente esse talismã, durante o sono, fazendo assim com que Mégara caisse em mãos do inimigo.

Muito embora Minos devesse a vitória a Cila, repudiou-a por indigna, em vista da traição contra o próprio pai.
Lamentosa, ela quis se atirar ao mar, mas os deuses transformaram-na em calhandra, e o pai em gavião, que constantemente a persegue pelos céus, cobrindo-a de bicadas!

domingo, 15 de outubro de 2006

Da janela sul...

caminhante...

Ao adormecer...

Como uma flor vermelha

À sua passagem a noite é vermelha,
E a vida que temos parece
Exausta, inútil, alheia.

Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.

Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.


Sophia M. B. Andresen
Obra Poética I
Caminho

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

mezinhar...

Rosa - Rubra

Esta rosa rústica, de um vermelho profundo e aveludado, é uma espécie de roseira-brava, existente nas regiões meridionais da Europa e da Ásia Ocidental. Conhecida e adorada pelos Antigos, só no tempo das Cruzadas atingiu o Ocidente.
Celebrizada no passado tanto por médicos como por poetas, esta rosa-rubra, conserva ainda o rótulo medicinal de tónico, as suas pétalas contém uma substância (tanino) que ao ser usada na pele deixa um rasto de beleza e aroma de encantar....

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

Da janela norte...


guarda-mundo

Ao adormecer...

Quase de nada místico

Não, não deve ser nada este pulsar
de dentro: só um lento desejo
de dançar. E nem deve ter grande
significado este vapor dourado,

e invisível a olhares alheios:
só um pólen a meio, como de abelha
à espera de voar. E não é com certeza
relevante este brilhante aqui:

poeira de diamante que encontrei
pelo verso e por acaso, poema
muito breve e muito raso,
que (aproveitando) trago para ti.

Ana Luísa Amaral

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Pelo campo...


serpente

... era uma vez

A lenda do nome Pataias.

Reza a história que em tempos idos a Rainha Santa Isabel, tinha por hábito deslocar-se com a sua comitiva desde o Castelo de Leiria, onde habitava, até às Caldas onde se cuidava em banhos termais, daí o nome conhecido de Caldas da Rainha.
Numa dessas passagens, por certa terra , seguia o coche onde viajava a rainha, assim como toda a sua comitiva, e claro as suas aias. O percurso ficou um pouco dificil de completar, já que a areia fina que caracteriza esta zona de pinhal impedia o fácil avanço das rodas do coche no terreno.
Sentindo a rainha que o peso excessivo na carruagem poderia ser a causa de tal problema, virou-se para as suas aias e ordenou:

- À PATA AIAS!

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

E outra janela...

colar de pedras

Aforas

Perdida, adj. extraviada; dispersa; dissipada.

Extravio, s. m. acto ou efeito de extraviar; sumiço.

Disperso, adj. espalhado; disseminado; separado.

Dissipar, v. tr. espalhar; esbanjar; destruir; desvanecer.

Os meus sinónimos.

domingo, 8 de outubro de 2006

Outra janela...

cumplicidades...

Ao adormecer...

Sonhos sem Ilusões

Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos. Atingirás assim o ponto supremo da abstenção sonhadora, onde os sentimentos se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se interpenetram. Assim como as cores e os sons sabem uns a outros, os ódios sabem a amores, e as coisas concretas a abstractas, e as abstractas a concretas. Quebram-se os laços que, ao mesmo tempo que ligavam tudo, separavam tudo, isolando cada elemento. Tudo se funde e confunde.

Fernando Pessoa, in «O Livro do Desassossego»

sábado, 7 de outubro de 2006

Na última gaveta...


Colares
Gravura, s.d.

Ao entardecer...

Aqui te amo...

Aqui te amo.
Nos sombrios pinheiros desenreda-se o vento.
A lua fosforesce sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Desaperta-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata desprende-se do ocaso.
Às vezes uma vela. Altas, altas estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
Sozinho.

Às vezes amanheço, e até a alma está húmida.
Soa, ressoa o mar ao longe.
Este é um porto.
Aqui te amo.

Pablo Neruda