terça-feira, 27 de maio de 2008

Ao amanhecer ...

Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem, depus minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar, quando caí.


Cecília Meireles

domingo, 25 de maio de 2008

primeira imagem

ave

Ao entardecer...

Em nome do teu nome, invoco o sul do silêncio
e arrimo o corpo ao vagar dos teus dedos.
Depois, deixo que me invadas, poro a poro,
que me cerques, me sacies e que a luz ilícita
dos teus olhos me ajuste ao teu abraço.

Graça Pires
Quando as estevas entraram no poema

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Da janela sul...

adentro


Autores

Praia

Na luz oscilam os múltiplos navios
Caminho ao longo dos oceanos frios

As ondas desenrolam os seus braços
E brancas tombam de bruços

A praia é lis e longa sob o vento
Saturada de espaços e maresia

E para trás fica o murmúrio
Das ondas enroladas como búzios.

Sophia de Mello Breyner

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Outra Janela...

o 3º azul...

1 2 3, diz outra vez!

Adeus, pedrinha da fonte,
Onde me eu ia assentar,
Onde passei muitas noites
E noitinhas de luar.

Adeus pedrinha da fonte,
Onde se assentam pimpões;
Donde se rasgam baetas,
Panos finos e bretões.

Quadras Populares.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Outra Janela...

o 2º azul...

1 2 3, diz outra vez!

Fui beber à clara fonte,
Por baixo da verde murta.
Foi mais por ver os teus olhos,
Que a sede não era muita.


Quadras Populares

terça-feira, 20 de maio de 2008

Outra Janela...

o 1º azul...


1 2 3, diz outra vez!

Entre pedras e pedrinhas
Água deve de nascer:
Menina que vem da fonte,
Dê-me água, quero beber.

Dê-me água, quero beber,
Cantarinho vai quebrado;
Menina, que vem da fonte,
Dê água ao seu namorado.

Quadras Populares.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Desafio - 6 palavras...

A água calma percorria o leito , tocava cada margem de forma meiga...sabia que entre escolhas, entre dualidades, uma parte pode ser ciumenta, outra teimosa. Mas o rumo destas águas frescas era optimista, o fim seria uma foz amiga.

Depois desta breve descrição em 6 palavras convido à valsa os Amigos:

Obrigada.

Tempo de agradecer...

A Casa de Maio não pode deixar de agradecer mais uma vez os mimos/desafios que recebe dos Amigos, pelo gesto que significam.
Assim,agradeço a:
Imagens Perdidas ; O blog da Ka ; O Jardim e a Casa ; sentimento em estado gasoso .



Obrigada.
Nota: O desafio da 6 palavras no post a seguir com a imagem.

domingo, 18 de maio de 2008

No dia dos Museus...

museu
do Lat. museu - Gr. mouseion, templo das Musas
s. m.,
estabelecimento, geralmente público, onde estão reunidas colecções de objectos de arte, de erudição, de ciência, etc. ;
conjunto de objectos de arte ou de qualquer ciência;
fig.,
compilação ou colecção de coisas várias;
miscelânea;
ant.,
templo das Musas;
pequena colina, em Atenas, consagrada às Musas (grafado com inicial maiúscula).
Neste e noutros dias, boa visita, seja qual for o Museu...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Bom fim-de-semana...

É preciso muito pouco para provocar um sorriso e basta um sorriso para tudo se tornar possível.
G. Cesbron

Deixo um sorriso com cores de Maio...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Da janela norte...

ecoooooo

voz do povo

Quem ouve e cala, consigo fala.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Outra Janela...

É preciso dar o nome do Amor a todos os sentimentos ternos que temos. Mas nunca saberemos se é mesmo ele.


François Mauriac
in, «Diário de um Homem de Trinta Anos»

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Outra Janela...

o outro lado

Autores

DEPOIS DO BEIJO

«Adormeceste?»
«Não», dizes.

Flores em Maio
Florindo ao meio-dia.

Na relva junto ao lago,
Ao sol,

«Podia fechar os meus olhos
E morrer aqui», dizes.

Miki Rofu (1889-1964)
Trad. de José Alberto Oliveira
in, "Rosa do Mundo"

domingo, 11 de maio de 2008

Da janela sul...

1º tempo ...
2º tempo...
3º tempo...

... do mar de Maio

sábado, 10 de maio de 2008

Tempo de agradecer...

A Casa de Maio agradece mais uma vez a simpatia com que é visitada por todos e premiada por alguns, assim é tempo de agradecer a:
O Cheiro da Ilha que ofereceu dois mimos à Casa, a saber:
Prémio Liberdade Florida e Prémio Honra


Tempo de agradecer, a Palavras em desalinho pelo mimo Campanha de Amizade:


Por fim, tempo de agradecer a aArtmus pelo mimo Blogueiros Que Sabem Comentar, e pelo desafio A Nossa Biografia/Meme em 6 palavras...
Deixo uma imagem e uma frase para este último desafio, que é também o meu obrigada a vós, e claro estes mimos são para todos os Amigos da Casa...



quinta-feira, 8 de maio de 2008

Da janela sul...

afago de fogo


Autores

Quase de nada místico

Não, não deve ser nada este pulsar
de dentro: só um lento desejo
de dançar. E nem deve ter grande
significado este vapor dourado,

e invisível a olhares alheios:
só um pólen a meio, como de abelha
à espera de voar. E não é com certeza
relevante este brilhante aqui:

poeira de diamante que encontrei
pelo verso e por acaso, poema
muito breve e muito raso,
que (aproveitando) trago para ti.

Ana Luísa Amaral
in Às Vezes o Paraíso

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Outra Janela...

no beco dos brincos


1 2 3, diz outra vez!

Mestra mestrinha
Senhora mestre, mestrinha
Casacunha de amores que já deram 4 horas
4 horas está a dar e as meninas a merendar
5 horas a cair e as meninas a sair!


Cantilena tradicional.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Da janela norte...

desabitada, não vazia.

Autores

Tenho uma casa. Uma construção de paredes eléctricas de fábulas. Uma malograda teofania de alguém condenado a perder-se na luz de um deus que jorra da sua própria ausência. Tenho uma casa no que sou externamente divina, involuntariamente incrível, compacta de todos os malefícios naturalmente atribuídos a uma deusa cujo o único milagre é não ser deusa.

Natália Correia
in A Mosca Iluminada

domingo, 4 de maio de 2008

Outra Janela...

nascer da rocha-mãe

No dia da Mãe...

se um dia pudesse segurar o teu rosto dentro das minhas mãos,
a pele do teu rosto a envelhecer, se um dia pudesse tocá-lo
como toco a água de uma nascente, como toco a claridade.

é um segredo que guardarei toda a vida por não saber dizê-lo.
o rosto,
o teu rosto submerso na inocência, mãe.

José Luís Peixoto

sexta-feira, 2 de maio de 2008

quinta-feira, 1 de maio de 2008

voz do povo

Maio pequenino, de flores enfeitadinho.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Outra Janela...

o silêncio...

No dia da dança...

Dança Para Um Poema
Dou-te a minha pele, a minha mão
Hoje sou a terra da criação
Passam rios
No meu corpo
Na minha voz
Navios
E embarcação

Hoje sou a terra onde nasceu
Onde minha tribo nunca morreu
Meus pés irão
Desenhar
O coração
A montanha
E a nação

Mostro minha dança
Vento, canção
Lírios e madeiras
Vinhos e pão
Mostro a ti
Com a minha mão
O amor, o sal
Pedra e paixão

Eu sou o jardim
O solo, o quintal
A dança do milho
A espiga afinal
Um corpo teu
Nele pisas
Inda não vês
Te alimentas
Inda não crês

Sou um continente
Desconhecido
Um salão de dança
A imensidão
A minha pele
A minha mão
Eu vou te dar
Te convidar
Para dançar

Comp. Consuelo de Paula e Rubens Nogueira

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Da janela norte...

na sombra do tempo

voz do povo

Com tempo e esperança, tudo se alcança.

sábado, 26 de abril de 2008

Da janela sul...

Ser à meia-luz


Ao entardecer...

I
Passo a mão pela tua cabeça,
recurvamente, atentamente, e só com dedos brandos,
olhando-a como passa e vendo onde passou.

Quero saber o que tu pensas.

II
O que tu pensas, mas apenas como,
e quando e o porquê, e não
que estejas pensando ou não que a minha mão,
atenta e curvada, passa brandamente.


Quero saber aquilo que nem sabes.

III
Aquilo que nem sabes - como saberias
o que o pensar é antes de pensar-se?


A mão que pousa e vai passar atenta.
O olhar que espera ver passar o gesto.
A tácita lembrança de volver os olhos.
A brisa que sabemos vai soprar tão mansa,
ainda antes, no fremir de pétalas ou folhas,
mas não na expectativa do arrepio prévio.

IV
Por que esperaste, ciente, a pele da minha mão?

Jorge de Sena

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Outra Janela...

Revolução.
Apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos mudá-la.

Bertolt Brecht

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Outra Janela...

à margem da corrente...

Autores

Como Uma Flor Vermelha

À sua passagem a noite é vermelha,
E a vida que temos parece
Exausta, inútil, alheia.

Ninguém sabe onde vai nem onde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.

Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Os Livros...

O Marcador de Livros
Quando começou a ler o poema impresso no pedaço de cartolina, achou aquelas palavras familiares. Sabia que tinha escrito algo parecido, há um ror de anos, nos bons tempos da Revolução de Abril. Os seus olhos fugiram de imediato para o espaço onde estava o nome do autor. Sentiu uma onda de calor a iluminar-lhe o rosto e começou a sorrir de alegria, esquecido que estava na rua. Era mesmo um dos seus poemas...era o seu nome que estava transcrito depois do poema.
Encontrar um poema da sua autoria, num simples marcador de livros que aproveitava para publicitar a existência de um "Café com Letras", do qual nunca ouvira falar, era uma daquelas coisas que estava completamente fora das suas cogitações.
Durante uns breves minutos sentiu-se orgulhoso.

Um Café Com Sabor Diferente
Luís A. Milheiro

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Da janela sul...

entardecer na última linha - o Céu


Ao entardecer...

Nada me pertenceu - nem o vestido indecente
que pedi emprestado para te oferecer os seios, nem
os seios, que eram já teus muito antes do vestido.

O sorriso que devassou brevemente o meu rosto não
me pertenceu; porque ninguém o viu antes de ti,
nem o espelho se convenceu a devolver-mo.

Todas as coisas que a casa guardou quando partiste não
me pertenceram; porque, ao tocar-lhe nos dias mais
cinzentos, sinto que é pelo calor dos teus dedos que ainda
gritam; e mesmo a cama onde só teu corpo era bem-vindo
nunca chegou a ser inteiramente minha, pois, de contrário,
encontraria nela o meu lugar, e não o teu vazio.

Tu não me pertenceste - e, se uma vez acreditei que
acontecias dentro do meu corpo,das outras vi-te abraçar a
solidão com tanto ardor que concluí ser a memória quem
te mantinha vivo. O meu coração, contudo, sempre

te pertenceu - e a mão desesperada que o procura não
sente bater longe do teu peito. E mesmo os poemas todos
que escrevi não me pertenceram, porque essa vida
que pulsava no papel levaste-a tu contigo na hora
em que te foste - e a que tenho agora é mais
branca e vazia do que a morte, não é vida nem nada

que eu queira alguma vez que me pertença.

Maria do Rosário Pedreira
O Canto do Vento nos Ciprestes

domingo, 20 de abril de 2008

Da janela norte...

lugar a pedra

1 2 3, diz outra vez!

Bichinho de conta
Debaixo da pedra
Mora um bichinho
De corpo cinzento
Muito redondinho
Tem medo do sol
Tem medo de andar
Bichinho de conta
Não sabe contar
Muito redondinho
Rebola, no chão
Rebola, na erva
E na minha mão

Lenga-lenga tradicional.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Outra Janela...

Tanta pressa temos de fazer, escrever e deixar ouvir a nossa voz no silêncio da eternidade, que esquecemos a única coisa realmente importante: viver.
Robert Stevenson

Eternidade
- foi a palavra desta semana no foto-dicionário do blogue Palavra Puxa Palavra, curiosos e belíssimos foram os olhares revelados, este foi o olhar da Casa de Maio:
um longo caminho, um fim infinito, desconhecido...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Da janela sul...

(in)dignação

Autores

Mar Incerto

Que triste o som acorda à minha voz!
Como é pálida a luz do meu espelho
e a desse rio azul que não tem foz:
o tempo, em que me vou fazendo velho.

Dias loucos da infância, onde estais vós?
E a alegria - esse cântico vermelho
do sangue virgem que não tem avós?
Como se chama a sombra em que ajoelho?

Arfa, cansado, no meu peito, um mar:
o mar remoto da remota Ilha
onde as sereias cantam ao luar.

A esteira dos navios, as gaivotas
gritam no céu, e o céu, lânguido, brilha
sem ecos de vitórias ou derrotas.

António de Sousa

terça-feira, 15 de abril de 2008

Outra Janela...

a chaminé II