segunda-feira, 20 de outubro de 2008

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Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo. Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti. Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és. Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim.

Vergílio Ferreira,
«Conta-Corrente IV»

4 comentários:

Maria disse...

É mesmo assim. Viver cada momento.
Intensamente. Porque é único...

Beijinho, Maria

Eduardo Aleixo disse...

Nem mais. É verdade. O momento presente, sem tempo, é aquele em que a eternidade se cruza com o tempo... da nossa dimensão... Vivê-lo intensamente é viver a eternidade.
Beijo, Maria.
Eduardo

Oris disse...

Palavras sábias....
É isso mesmo, viver intensamente cada momento. Só assim se poderá saborear a VIDA.

Beijitos, Maria de Maio

poetaeusou . . . disse...

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ouço
vergilio ferreira, lendo ...
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bj
h,
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