terça-feira, 7 de outubro de 2008

Ao amanhecer ...

A Origem do Mundo

De manhã, apanho as ervas do quintal. A terra,
ainda fresca, sai com as raízes; e mistura-se com
a névoa da madrugada. O mundo, então,
fica ao contrário: o céu, que não vejo, está
por baixo da terra; e as raízes sobem
numa direcção invisível. De dentro
de casa, porém, um cheiro a café chama
por mim: como se alguém me dissesse
que é preciso acordar, uma segunda vez,
para que as raízes cresçam por dentro da
terra e a névoa, dissipando-se, deixe ver o azul.

Nuno Júdice

in: «Meditação sobre Ruínas»

6 comentários:

Luis Eme disse...

e como é importante, vermos o azul...

beijos M. Maria Maio

Eduardo Aleixo disse...

Gosto da poesia do Nuno Júdice.
EA

pin gente disse...

gosto muito de nuno júdice, maria
obrigada
luísa

Mateso disse...

Percepções matinais em palavras perfeitas- Semore Nuno Júdice.
Bj.

poetaeusou . . . disse...

*
nuno judice,
de sempre . . .
,
bj,
h,
,
*

Maria P. disse...

Luís,
mesmo num dia de tempestade...
Beijos.

Eduardo,
somos dois.
Beijinhos*

Luísa,
diz tanto esta poesia...
Beijinhos*

Mateso,
perfeitas sim...
Beijinhos*

Poetaeusou,
é verdade...
Beijinhos*