quarta-feira, 29 de outubro de 2008

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No Entardecer dos Dias de Verão

No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...
Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão ...
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos ...
Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma cousa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos,
E deve haver muita cousa
Para termos muito que ver e ouvir ...

Fernando Pessoa
in «O Guardador de Rebanhos»

6 comentários:

Ferreira-Pinto disse...

... para termos muito que ver e ouvir ... até os amigos!

Maria disse...

... graças a deus que há imperfeição no mundo...

Beijinho, Maria

poetaeusou . . . disse...

*
pessoa
o menino que não perdoou
aos pais, não ter sido marinheiro,
,
estrelinhas, deixo,
,
*

Eduardo Aleixo disse...

Se sinto a brisa, ela existe. Não existe brisa fora do meu sentimento de brisa.
Beijo.
EA

Luis Eme disse...

imperfeição existe, perfeição é uma utopia...

beijos M. Maria Maio

Maria P. disse...

De forma imperfeita, hoje respondo em conjunto a todos: é tão bom serem Amigos da Casa, obrigada.

Beijinhos*