Maio é o tempo da perfeita
harmonia.
Trajado de negro, mal rompe a luz
O melro canta uma canção de
clara alegria.
Nos campos se abraçam as flores e as cores.
O cuco
saúda o verão majestoso com galhardia.
Passou o tempo dos dias ruins, a brisa
é doçura.
No bosque as árvores de folhas se vestem
E se foram nuas agora
são sebe de verde espessura.
O verão vem chegando e corre sem pressa a
água no rio.
Manadas ligeiras nas águas mansas a sede saciam.
Na encosta
dos montes se espalha o azul do cabelo da urze.
E frágil e branca se abre a
flor do linho silvestre.
A pequena abelha, de fraco poder, carrega em
seus pés
Rica colheita oculta em flores. O gado pasta ne erva tenra
Dos
verdes prados. Na sua tarefa não há fadiga
A formiga vai e depois vem para
logo ir e nunca parar.
Nos bosques a harpa tange melodias, música de
paz
Que acalma a tormenta que o lago agitara.
E o barco balouça de velas
dormidas
Envolto na bruma da cor das flores do tempo de Maio.
Na seara
escondida, e de sol a sol, solta a codorniz
Um canto de energia, como um
bardo real.
Esguia e delgada, mui branca e pura, saúda a cascata,
Em
murmúrio de prata, a calma serena do arroio que a bebe.
Ligeira e veloz,
no céu a andorinha é um dardo negro.
Há música que paira na encosta e no
vale, nos montes em volta, a cintilar.
Os frutos do verão já se anunciam em
gomo formosos.
Cantam as aves na ramaria e no rio os peixes pulam e
saltam.
O vigor dos homens de novo renasce e ao longe a
montanha
Mostra sem medo sua glória, altiva e sem mácula.
Da crista ao
chão, as árvores do bosque são uma festa
De verde e de folhas; e a planura é
um lavor de cores e flores.
Os dias de Maio são de alegria e de
espledor,
Quando as donzelas sorriem de orgulho pela sua beleza
E jovens
guerreiros se mostram mui hábeis, ágeis e esbeltos.
Os dias de Maio o verão
anunciam, o tempo é de paz.
E no céu azul há uma criatura que é ave
inocente.
Pequena e frágil, de límpida voz de água clara,
Canta a cotovia
maravilhas e contos, em que apenas diz
Que a perfeita harmonia é o tempo de
Maio.
Cultura Celta (Irlandês)
Anónimo
(séc.IX-X)
Tradução: José Domingos Morais