domingo, 1 de julho de 2007

Ao meditar...

Campo
Este verde impossível de ser,
Que alegre o camponês cultiva a prazo,
Não dá sequer para me aborrecer
Na extensão sem fim do campo raso.

Sem fim, a vida, deixa-se correr
Lisa e fatal, serena, sem acaso.
E acontece o que tem de acontecer
Como quem já da vida não faz caso.

Nada se passa aqui de extraordinário:
Tudo assim, como peixe no aquário,
Sem relevo, sem isto, sem aquilo;

Muito bucólico a favor da besta,
O campo, sim, é esta coisa fresca...
Coaxar de rãs, a música do estilo.

Afonso Duarte

5 comentários:

Maria disse...

Bonito, este soneto....

B.

Alexandra disse...

Gostei deste teu meditar...

Bjs

poetaeusou disse...

*
E acontece o que tem de acontecer
*
h
*

Vieira Calado disse...

Há quanto tempo eu não lia nada deste grande poeta, mais ou menos rústico, do passado.
Obrigado

TINTA PERMANENTE disse...

Um raso soneto com alguma lassidão no espírito...
Abraço.